domingo, 22 de novembro de 2009

Lendo Dan Brown: O Simbolo Perdido!

Dan Brown transformou-se em poucos anos em um dos escritores mais lidos do planeta e entrou para a seleta galeria de escritores sobre os quais posso afirmar que tenho todos os livros. Tá certo que não foram muitos livros até agora, mas a tendência é continuar consumindo avidamente tudo o que ele produzir.


Sua produção é culta, recheada de informações sobre história, misticismo, simbologia. Para cada livro, Dan Brown tem atrás de si uma equipe que lhe fornece material para compor suas obras. Para além da equipe, sua capacidade em amarrar situações históricas com ficção é muito impressionante. É dificil começar a ler qualquer livro dele e simplesmente colocar de lado por tédio. Simplesmente não dá, tamanha é a sua capacidade em nos manter vidrados e em atitude devorativa às páginas que produz. Gênio!


Tem quem não goste e diga que é subliteratura! Discordo solenemente e para essa prepotência acadêmica de alguns críticos e escritores com os cotovelos doloridos, repito apenas o velho bordão: uns escrevem, outros tornam-se críticos! A vida como ela é!


Ponto de Impacto, Fortaleza Digital, O Código Da Vinci, Anjos e Demônios e agora, O Símbolo Perdido! Em todos os seus livros, Dan Brown mexe com instituições sagradas e sacramentadas - com o perdão da reundância - bolindo com a fé cristã e a igreja católica bem como com os cânones da ciência moderna. E sempre incomoda a todos! 

Agora, trata da Maçonaria. Vamos ver no que dá, mas nas primeiras páginas, o velho estilo alucinante se faz presente. E lá está também o seu (meu) herói, moderno Sherlock, Professor Robert Langdon, simbologista por profissão e decifrador de enigmas e conspirações internacionais, imortalizado na tela grande pelo versátil Tom Hanks nas filmagens de "O Código.. e Anjos e Demônios". Pós Holywood, é dificil imaginar o professor Langdon com outro semblante e porte que não seja o do Tom Hanks, incluindo o cabelo alisado! hehe!


Levem em consideração que minha paixão por Dan Brown e apreço pelo seu personagem central de três obras, tem muito a ver, claro, com o fato de eu ser historiador e gostar de fuçar em mitologias religiosas e tudo o que envolve fé e sua influência para a formação das sociedades antigas e modernas. Outra característica que me cativa, é a capacidade intensa de ironizar as nossas próprias crenças.

Reproduzo abaixo uma passagem da página 40 de "O Símbolo Perdido" - Ed. Sextante, 1ª edição - que por si só já rende um primor de debate. A cena se passa com Robert Langdon recordando-se de uma aula sobre a Francomaçonaria, em Harvard:


" - Professor Langdon - disse um rapaz de cabelos encaracolados na última fileira - se a Maçonaria não é uma sociedade secreta, nem uma empresa, nem uma religião, então o que é?
- Bem, se você perguntasse isso a um maçom, ele daria a seguinte definição: a Francomaçonaria é um sistema de moralidade envolto em alegoria e ilustrada por símbolos.
- Isso me parece um eufemismo para "seita de malucos".
- Malucos, você disse?
- É isso aí! - disse o aluno, levantandos-se - Sei muito bem o que eles fazem dentro desses prédios secretos! Rituais esquisitos à luz de velas, com caixões, forcas e crânios cheios de vinho para beber. Isso, sim, é maluquice!
Langdon correu os olhos pela sala.
- Alguém mais acha que isso é maluquice?
- Sim! - entoaram os alunos em coro.
Langdon deu suspiro fingido de tristeza.
- Que pena. Se isso é maluco demais para vocês, então sei que nunca vão querer entrar para a minha seita.
Um silêncio recaiu sobre a sala. A integrante da Associação de Alunas pareceu incomodada.
- O senhor faz parte de uma seita?
Langdon assentiu com a cabeça e baixou a voz até um sussuro conspiratório.
- Não contem para ninguém, mas, no dia em que o deus-sol Rá é venerado pelos pagãos, eu me ajoelho aos pés de um antigo instrumento de tortura e cosumo símbolos ritualísticos de sangue e carne.
A turma toda fez uma cara horrorizada
Langdon deu de ombros.
- E, se algum de vocês quiser se juntar a mim, vá à capela de Harvard no domingo, ajoelhe-se diante da cruz e faça a santa comunhão.
A sala continuou em silêncio.
Langdon deu uma piscadela
- Abram a mente, meus amigos. Todos nós temememos aquilo que foge à nossa compreensão."

Esse Dan Bronw não é genial? Essa passagem me recorda sempre minhas aulas sobre a invasão espanhola à América a partir de 1519, quando Fernão Cortez e seus homens foram confundidos com o retorno dos deuses Maias e Astecas. Sempre que conto a mitologia Maia/Asteca sobre seus deuses brancos, barbudos, vindos do mar, principalmente o deus Kukulcan ou Quetzlacoatl, que havia partido, mas marcado a data do retorno - coincidente com a chegada dos espanhóis no início do século XVI, algum aluno ou aluna faz um comentário do tipo "caramba, como eram burros!". Haha! Bingo! E eu, invariavelmente, digo a eles para refletirem sobre nossas crenças num cidadão que teria sido filho de deus, branco, cabeludo, barbudo, que foi morto na cruz, ressuscitou, subiu aos céus e vai voltar para separar os bons dos maus no dia do juizo final. Invariavelmente a cara de todos (as) nessa aula é sempre  de espanto e de alguma frustração com as próprias crenças, tidas como avançadíssimas por quem as defende e propaga. Hehe!



Como ensina um pensamento antropológico, o que pensamos sobre a cultura alheia, diz mais sobre o nosso próprio comportamento do que sobre a cultura analisada.


Grande Dan Brown! Que venham muitos livros e filmes!

sábado, 21 de novembro de 2009

Adios Celso Pitta! Foi tarde, apesar de ter ido cedo e sem pagar nada!

Dizem que a morte redime os pecados da vida. Não concordo! Se fosse assim, teriamos que perdoar todos (as) os que cometeram mazelas diversas contra a sociedade. Sou de perdoar quem comete erros individuais, contra pessoas específicas. Somos humanos e errar é parte integrante da vida e do nosso aprendizado. Agora, errar conscientemente e prejudicar milhões de pessoas, sinto muito! Não vejo redenção alguma na morte. E esse é o caso do ex prefeito Celso Pitta, falecido de ontem para hoje, vítima de câncer!


Não apenas por ser paulistano, mas por ter participado até as entranhas de uma CPI na Câmara Municipal de São Paulo em 2001, que investigou os mecanismos econômicos, financeiros e políticos do brutal endividamento da nossa cidade durante as gestões Maluf/Pitta (1993/2000), considero que o ex prefeito morto e o ex que continua por aí vivinho, deveriam ter enfrentado as grades por um longo tempo, por crime contra a economia popular e contra os cidadãos paulistanos. O que descobrimos naquela CPI, era suficiente para meter os dois na cadeia por muitos anos. Mas, como dizem por aí, todos são iguais perante a lei, exceto pelos advogados que o dinheiro consegue contratar!



Não me alongo neste texto. Apenas deixo registrado que a morte, neste caso, não o redimiu. Apenas o livrou de futuros vexames, como o de ter sido preso recentemente pela operação Satiagraha, comandada pelo delegado da Polícia Federa, Protógenes Querioz. Ou de ter que ficar enfrentando sua ex esposa, sempre a exigir pensões vultuosas, e ele justificando que vivia da venda de direitos autorais de um livro. Valha-me minha nossa senhora! Foi tarde! Pena ter ido sem pagar o que devia à cidade e a seus cidadãos!

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

O vôo da Pomba sobre a Cidade!

Há momentos na vida que buscamos traduzir sentimentos e pensamentos das mais variadas maneiras. Uma das minhas preferidas é tocar meus instrumentos, sem compromisso de produzir algo efetivo. Tocar por tocar! Ficar ali, deslizando os dedos pelos braços e corpo de guitarras e violões, quase como se estivesse fazendo amor com as cordas. Vez em quando, como tenho feito desde que inaugurei este blog, acabo cometendo algumas músicas mais consistentes para poder postar por aqui.


Esse vídeo novo, gravado hoje, expressa um conjunto de sentimentos que se mesclam nas notas que são em si suaves, mas distorcidas pela pedaleira. Síntese da tranquilidade com a ansiedade; da paz com a luta; do conforto com a busca pelo novo. Dialético!


A imagem que ficou presente o tempo todo foi de uma linda pomba sobrevoando a cidade. A mistura da suavidade do seu vôo com a massa de concreto e asfalto abaixo de si. Acima do seu vôo, apenas o céu! É isso! Saíram essas notas, essa melodia!

Sexta é dia de Blues! Junior Wells!

Mais uma sexta, mais uma semana que se foi e vamos a mais uma homenagem ao Blues e seus incríveis bluesman. Aproveitando, presto também minha homenagem ao dia da consciência negra, fazendo minha apologia à cultura negra de todos os cantos do mundo.


Junior Wells, fantástico gaitista e dono de uma voz muito bonita, comparece aqui com a belíssima Hoodoman Blues, em uma tocante apresentação nos anos 60. Da corrente blueseira de Chicago, Junior Wells é mais um bluesman típico, oriundo dos estratos mais pobres da população dos EUA, tendo enfrentado na pele o maldito racismo que assolava a "maior democracia do mundo" na sua infância e juventude, o que se refletiu sempre em suas músicas. Como eu sempre digo meus amigos, Blues!

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Arqueologia Musical! PHD com I Won't Let you Down

Fazia tempo que não postava uma "arqueologia musical" por aqui. Os assuntos vão se sucedendo, os dias viram semanas, semanas meses e por aí vai. E, claro, agente segue envelhecendo a cada dia!


Toda vez que posto alguma "arqueologia" me dou conta de como o tempo disparou e como ele acelera, sempre mais e mais. Enfim, chega de lamurias contra o deus Cronos! Para isso a indústria de coméstico inventa um monte de meleca pra passar na cara e diminuir as rugas..haha!


Ano, 1982 e eu no auge dos meus vinte aninhos, ouvia essa música, que fez um sucesso danado por aqui e na Europa também. Na época não comprei compacto, LP nem fita cassete (alguém lembra disso?) que contivesse essa canção. Ficou até hoje, passada a onda de sucesso, apenas a lembrança constante de um som típico do começo dos 80, período muito marcante na minha vida. Trilha sonora total! Nunca fixei o nome da banda que a interpretava, nem o nome da música. Afinal, meu inglês na época não superava a conjugação maçante do verbo "to be"!


PHD! I Won't Let You Down (algo como, "eu nunca vou lhe decepcionar") marcou aquele ano e os posteriores. Tocou nas rádios até! Um trio inglês que gravou apenas esse sucesso e desapareceu na poeira. O vocalista, Jim Diamond, ainda fez um sucesso em carreira solo, com a música "i should have know better" que chamávamos carinhosamente de "Melô da dor de dente" porque, lá pelas tantas, ele começava com um "ai ai ai ai ai ai ai ai ai" haha!

Quase trinta anos depois, hoje, graças ao apoio intelectual, ouvido e espírito de garimpeira de net da minha ex aluna e agora professora de filosofia, Paloma, consegui não apenas a música, mas os vídeos disponíveis desse sucesso do PHD. Anos 80 total! Visual, estilo, som! Valeu Paloma! Que "são" Aristóteles lhe proteja! 

Arqueologia Musical! Vou me tornar o indiana jones da música pop!